Heitor com a irmã Heloísa, que o salvou do ataque do cão na saída da escola (Foto: Arquivo pessoal)
Cachorro escapou e mordeu menino de 8 anos na cabeça, mãos e costas.
'Eu comecei a gritar e chutar. Na hora eu não tive medo', disse a irmã.
Uma menina de 11 anos salvou o irmão de 8 do ataque de um cão da raça pit bull em Araraquara
(SP), na manhã da última segunda-feira (10). O menino foi mordido na
mão, nas costas e na cabeça. Ele foi socorrido, medicado e passa bem.
Segundo a mãe das crianças, a secretária Cristiana Texeira, de 33 anos,
a filha dela, Heloísa Teixeira, teria ido buscar o irmão, Heitor
Teixeira, que estuda na Escola Estadual Antonio Joaquim de Carvalho, no
bairro Jardim Morumbi. Por volta das 11h30, os dois voltavam para casa
quando aconteceu o ataque.
A menina contou ao G1 que, ao passar em frente a uma
casa, escutou um forte barulho e de repente viu o cachorro arrombar o
portão de madeira e correr na direção da primeira criança que encontrou.
“Eu comecei a gritar no meio da rua. Ele pulou em cima do meu irmão,
então eu comecei a chutar. Na hora eu não tive medo, nem pensei nisso,
só queria tirar meu irmão de lá”, disse.
A menina relatou ainda que gritava enquanto chutava o animal, o que
pode ter assustado o cão. Ele parou de atacar o irmão dela e voltou para
dentro da casa. A residência abriga uma república de estudantes,
segundo a mãe das crianças.
SustoA secretária disse que ficou desesperada quando a filha ligou para ela para pedir ajuda. “Fiquei desesperada com a notícia, porque a gente sabe como é o ataque de um pit bull. E esse desespero aumentou quando cheguei na escola e vi meu filho todo ensanguentado”, contou.
O diretor da escola prestou os primeiros socorros ao menino e a mãe e
um tio o levaram para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila
Xavier. O garoto foi medicado e liberado no mesmo dia. Heitor levou dois
pontos na cabeça. Também ficou ferido nas costas e na mão esquerda.
“Ele está assustado e reclama um pouco da dor. Mas está se recuperando
bem. Já a minha filha passou pelo pediatra e precisou tomar calmante,
porque ela chorou o dia todo”, relatou.
Cristiana afirmou que, mesmo correndo risco, a filha foi muito corajosa
e que em seu lugar teria feito o mesmo. A mãe disse que o filho está
com medo e não quer mais ir à escola andando, portanto, as crianças
utilização o transporte escolar a partir da próxima semana.
AssistênciaA mãe das crianças afirmou que não pretende tomar nenhuma medida contra os estudantes que moram na república de onde o pit bull escapou. “É uma situação terrível, na hora a gente pensa em tudo, mas não pretendo processá-los”, declarou.
Segundo ela, os estudantes pagaram todas as despesas médicas do menino. Já o cão deverá ficar sob observação por sete dias.